Uma dose de Prozac para o Marketing da ansiedade
sexta-feira, maio 29th, 2009Nem sempre as iniciativas criativas dos serviços de internet agradam aos usuários. Não adianta forçar a barra nem fazer marketing para perder.
Aprendi que uma das grandes oportunidades de se fazer bons negócios na internet é a possibilidade de corrgir rapidamente o rumo de uma campanha ou de uma ação. A simples mudança de lugar de um único botão pode fazer uma diferença imensa para a pessoa mais importante do mundo – o usuário. Os serviços e o marketing existem para entender e atender a necessidade destes e não o contrário. A razão de existir de um serviço e o sentido de suas campanhas de marketing pouco importa. Vi surgir e sumir serviços por problemas financeiros, por problemas técnicos, por pouca habilidade dos seus executivos, mas o pior de todos os motivos para um serviço desaparecer é o desprezo do usuário. Ele manda.
Ao tentar cativar o usuário, como nas doidas paixões, colocamos a razão de lado e partimos para o tudo ou nada. É aà que surge o risco de passar por ridÃculo. Mas o pior cenário é o desprezo do usuário. Ou conquistamos seu coração, mente e cartão de crédito a todo custo ou achamos artifÃcios bobos para lhe chamar a atenção. A ansiedade e imprerÃcia dos marketeiros, por não saber o que fazer e nem sempre pensar em quem está do lado de lá da tela pode por tudo a perder. Alguns serviços só conseguem enxergar o próprio umbigo e isso torna muitos sites impertinentes, chatos e por fim, rejeitados. Não suportamos rejeição e não é sendo um exagerado que conquistaremos o apreço do usuário.
A prática do marketing nas diversas modalidades, especialmente para um público da internet, necessita muito equilÃbrio e paciência. Ter fidelidade, ética e um irremediável respeito ao espaço das caixas postais e dos views de nossos clientes. O nosso público deve ser preservado com total solenidade. Um cadastro deve ser comemorado e cada assinatura lustrada semanalmente com muita atenção e dedicação. Não é do dia prá noite que se conquista usuários. É preciso uma mira certeira e talento para executar uma boa idéia (ou muitos $ milhões) e colhê-los de montão. Nem toda modalidade de serviço atinge as massas e nem todo serviço de massa converte com sucesso seus cadastros em formas possÃveis de monetização.
Alguns exemplos famosos que geraram muitos outros semelhantes em menor proporção podem mostrar boas práticas e outras nem tanto dentro do mesmo tipo de serviço. As redes sociais viraram uma paixão nacional que reuniu amigos que não se viam há tempos. Este movimento de massa tornou o Brasil o paÃs de maior audiência no Orkut, impulsionado por uma ação básica, o convite por email. Milhões de convites trafegaram pela rede e popularizaram as redes sociais. Mas certamente é uma estratégia invasiva que permite que pessoas estranhas mandem emails para nossa caixa postal ou de pessoas inocentes, colocando-as diante de um conteúdo fútil, banal e até perigoso, produzido sem nenhum critério e ética. Nestas mesmas redes sociais vimos o opensocial do Google como um alavancador inteligente de audiência por meio de aplicações que podem integrar-se a muitos serviços simultaneamente, multiplicando resultados de audiência oferecendo um benefÃcio.
O Plaxo que foi conhecido como um dos serviços mais chatos da internet deu mostras de que seus executivos acordaram, graças aos desenvolvedores e suas APIs, que com a integração ao opensocial multiplicou instantaneamente sua audiência. Plaxo trouxe a prática inconveniente de obrigar-nos a atualizar dados nas agendas das pessoas que nos mandavam um convite por email. Muito chato ter que ignorar o pedido de atualização de agenda enviado por um ciente importante, né. Era praticamente uma Spam networking. Hoje os reminders por email me incomodam do mesmo jeito. Com tantos outros exemplos de menor importância e sem tanto capital para marketing e desenvolvimento, é sempre bom ter a mão o opt-out, delete, válvula hidra, puxar o fio da tomada ou desejar que os serviços de internet sejam realmente criativos, eficientes e seus executivos menos ansiosos. Prozac neles.
Coluna do Edson Romão publicada na Revista www.com.br da Editora Europa








