De tempos em tempos lemos alguma pesquisa ou estudo que diz que a internet – e esta vontade incessante de usá-la – aumenta a ansiedade nas pessoas. Há poucos dias uma destas disse que 27% dos usuários, quando desconectados, são atingidos por ansiedade e que 40% levam o PC para cama. Eu estou livre disso. Prá que levar o PC para cama!? Eu só preciso levar o celular. E prá que ficar ansioso sem internet? Mas…só deixa eu dar uma última espiadinha nos emails antes de dormir; e já que estou aqui, deixa eu ver como estão os cadastros, se os servidores estão up etc. Na verdade, não posso mais ficar sem você. Com quem estava falando? Desculpe, era com o navegador do celular.
O celular, smartphone, iPhone e outros equipamentos portáteis conectados a rede são uma realidade avassaladora em números. Nesta metade de 2008, o Brasil atingiu a marca de 135 milhões de assinantes no Serviço Móvel Pessoal, numa densidade de 70,57 telefones móveis em serviço para cada 100 habitantes. E o Brasil é o paÃs que mais acessa internet via celular na América Latina de acordo com pesquisa da empresa dona do browser Opera, publicada em agosto de 2008.
Com uma audiência deste tamanho é claro que o mercado fica muito entusiasmado. No entanto existem diversas particularidades que devemos considerar antes de pensar neste volume todo como uma audiência monetizável para o mobile marketing, MMS e WAP. Por enquanto apenas 20% destes assinantes tem celular pós-pagos e 80% são pré-pagos. Isso quer dizer que tem muita gente usando o celular como um ramal que recebe telefonemas, sem sequer depositar para as operadoras um real de crédito além do necessário. Com isso vamos afunilando nossa audiência para serviços pagos como tráfego de dados e multimÃdia. Uma pesquisa feita pela Nielsen que entrevistou 5.000 usuários de celular nas principais cidades brasileiras mostra algumas coisas: O serviço de celular mais utilizado no Brasil é o SMS, com 60,1% entre os usuários. No público jovem, esta fatia aumenta para perto de 80%. Baixar músicas e ringtones é outro serviço bem utilizado. Eu estou localizado aqui: usuários que checam e-mails por celular, 57%; na sequência vem os sites de música (27%), entretenimento (25%), jogos (18%), filmes (12%) e notÃcias e polÃtica (12%).
Sobre modelos de negócios para mercado mobile no Brasil, as emissoras de TV e rádio têm saturado sua programação com promoções do tipo Pull – “mande a palavra xyz para o numero tal e concorra a um carro 0 km”, chamando o usuário para a interação com um número conhecido por Large Account. Também vemos campanhas push, partindo de uma base opt-in, solicitando a esta a participação em uma promoção.
Todo mundo quer beliscar uns centavos dos milhões de SMSs que se colhe numa ação destas. Desconte aà a inadimplência dos celulares que solicitam o serviço, mas depois não tem crédito em seus pré-pagos para serem debitados. Óbvio: a maior parte da receita (de 45% a 55%) fica nas mãos das operadoras. Paga-se a merchandising para emissora, sobram algumas merrecas de centavos para você, campeão.
Por outro lado, o mercado se esmera em produzir alguns serviços de internet para o formato WAP com qualidade. Utilizo e indico o Itaú, tudo do Google, Aprex, Reuters. Geralmente é quando mais se precisa, no sufoco, que buscamos uma informação pelo browser mobile. É bom estar preparado e fazer bem feita esta adaptação de seu site para não decepcionar. Celular é uma mania global e nacional. A internet e o celular estão fadados a antropofagia. Daqui a pouco um estará dentro do outro numa metabolização hi-tech. Não preciso do PC na cama. Um torpedo de boa noite e até amanhã.
Coluna do Edson Romão publicada na Revista www.com.br da Editora Europa