Internet é “coisa de pobre” aqui no Brasil
Entre o final da primeira Bolha da internet até a crise de crédito que se propalou recentemente pelo planeta, pudemos acompanhar o surgimento de serviços de internet que mudaram a história da rede. Estou falando do perÃodo que iniciou em 2001 e se extende até hoje. São exemplos em diversos setores que me ajudarão a fazer uma análise de nosso pobre mercado “.com”.
Por exemplo o Google. Mesmo que seu nascimento esteja datado em 1998, o Google precisou de um tempinho para massacrar seus concorrentes Yahoo e MSN em termos de audiência ou valor de mercado. Eu o considero um fenômeno de sucesso pós-bolha, pois foi principalmente após atingir a marca de 1 bilhão de sites indexados em 2000 que as primeiras parceiras de sucesso iniciaram por lá. O Gmail surgiu em 2004, junto com a sede nova em Mountain View, demonstrando o poder do software na web e sinalizando a terrÃvel guerra que se travaria nos anos seguintes com a Microsoft.
Dentro deste mesmo perÃodo, surgiram as redes sociais. Em 2004 o Facebook, que se tornou uma das maiores redes sociais do mundo e vendeu 1,6% de suas ações à Microsoft por US$ 240 milhões. Por esta quantia generosa é melhor dizer que a Microsoft é quem pagou e não o Facebook que vendeu. Em 2004 também surgiu o Orkut, fenômeno aqui no Brasil. O MySpace, adquirida por um dos maiores grupos de mÃdia do Mundo, a News Corporation de Rupert Murdoch por US$ 580 milhões, foi criado em 2003.
Vamos em frente: Youtube. Criado por Chad Hurley e Steve Chen, em menos de dois anos após seu nascimento, foi adquirida pelo Google por US$ 1,65 Bihões. Os dois “biliardários” trabalharam juntos na PayPal. Lá conheceram um executivo ligado ao fundo de investimento Sequoia Capital, que investiu no comecinho da história uns US$ 3,5 milhões. Bom negócio.
Nos serviços de internet para empresas, acompanhei o trabalho do intranets.com e WebEx. Intranets.com era um aplicativo SaaS para empresas, grupos de trabalho e outras comunidades criarem rapidamente uma intranet local, onde os usuários puderam colaborar através da Internet. Embrião da Web 2.0 nas corporações, a empresa foi adquirida por US$ 45 milhões pela concorrente WebEx. A WebEx aliou sua lidarança em vÃdeo e áudio conferência pela internet a um aplicativo colaborativo para empresas. Tempos depois a Cisco, um gigante da rede, comprou WebEx por US$ 3.2 bilhões. Uma escadinha interessante.
Não se trata de fazer uma comparação entre o tamanho das economias, mas sim a cultura de mercado. A internet aqui no Brasil, em sua grande parte, é feita com o dinheiro das teles. Como diz-se na gÃria, com o “troco prá comprar bala”. A internet ainda está orbitando na periferia das teles, lutando para se tornar um negócio lucrativo, empurrado ladeira acima pelo conteúdo ou por serviços “micados”. A internet no Brasil é só uma mÃdia, concentrando seu modelo de negócio na venda de audiência qualificada. Sobre esta ótica, torna-se um negócio oligárquico como sempre foi a televisão. Como já disse aqui, a internet está se tornando muito parecida com a televisão, até em seus costumes de criar Ãdolos, amá-los ou odiá-los. Populista, “fofoquista” e um tanto sensacionalista.
PouquÃssimos negócios de internet prosperaram neste perÃodo aqui no Brasil e a nova onda de startups que começou nos meados de 2007 embalados por uma Web 2.0 ainda não frutificou. Ainda estamos vivendo os resultados da web 1.0. “Nossos” Buscapé, Par Perfeito, Mercado Livre, Akwan e poucos outros renderam louros a seus criadores de lá prá cá. Da nova onda de negócios pouquÃssimos conseguiram investidores e mesmo assim lutam dentro desta crise de crédito e com pouca audiência e resultados. Os Blogs, blogueiros e mÃdia social tentam diversificar seus negócios através de consultorias de comunicação digital ou servindo para engrossar o caldo da audiência dos portais. Temos profissionais inovadores, criativos, exportamos talento. Temos audiência (muito concentrada ainda, mas temos), tempo de navegação recorde no mundo. Já somos dezenas de milhões de internautas. No entanto ainda precisamos fortalecer muito uma legÃtima cultura online para que os negócios fluam melhor. Precisamos que as pessoas saibam usar a internet não só como quem vê novela.
Coluna do Edson Romão publicada na Revista www.com.br da Editora Europa


